Cuiabá, 22 de Maio de 2017

Opinião

A DOR DA REJEIÇÃO NÃO É SÓ UMA METÁFORA

Por: Graciele Girardello

Cientistas comprovaram que as regiões do cérebro que reagem à dor física são as mesmas que respondem a um fora: A dor do coração partido não é apenas figura de linguagem. As regiões do cérebro que reagem à dor física coincidem com aquelas que reagem à rejeição social, de acordo com estudo que analisou imagens do cérebro de pessoas que passaram por rompimentos amorosos recentes. “Os resultados dão um novo significado para a ideia de que a rejeição ‘dói'", escreveu Ethan Kross, autor do estudo e professor de psicologia da Universidade de Michigan.

O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico científico da Academia Nacional das CiênciasEdward Smith, da Universidade de Columbia, que também participou do estudo, explicou que a pesquisa mostra que os eventos psicológicos ou sociais podem afetar regiões do cérebro que os cientistas pensaram que eram dedicadas apenas à dor física. Em momentos de dor, lembre-se de quem você ama sentir-se rejeitado pode partir o coração, literalmente. De certa forma, os cientistas estão dizendo "não é uma metáfora", disse Smith em entrevista.

O estudo envolveu 40 voluntários que passaram por um indesejável fora nos últimos seis meses e que afirmaram que pensar no tal fora provocava sentimentos intensos de rejeição. Imagens de ressonância magnética foram usadas para estudar o cérebro dos voluntários em  situações de rejeição. “Estudos anteriores não tinham mostrado a relação entre a dor física e a emocional, e também tinham usado eventos menos dramáticos, como alguém que tivesse simplesmente afirmado ‘não gosto de você”, disse Smith.

“No caso do estudo publicado nesta semana, os voluntários haviam de fato sido rejeitados e continuavam sentido a dor da perda”, disse. Ha ainda evidências de que o estresse emocional, como a perda de um ente querido, pode afetar as pessoas fisicamente. De acordo com Smith, estudos como este podem ajudar os pesquisadores a desenvolver maneiras de ajudar pessoas que são sensíveis à perda ou à rejeição.

Ainda há muito para aprender sobre a reação do cérebro à dor, no entanto, esses estudos não demonstram a importância das relações sociais e os danos sentido por aqueles que vivenciam a exclusão do grupo. O sentimento de ser indesejado pode levar à depressão, baixa autoestima e auto depreciação. As pessoas que passaram por essa situação várias vezes estão mais em risco para estes sentimentos negativos. O indivíduo pode sentir como se eles são indesejáveis, desinteressante, e sem quaisquer qualidades positivas. Este pensamento destrutivo pode destruir vidas.

Graciele Girardello - girardellograciele@gmail.com