Cuiabá, 21 de Novembro de 2017

Mato-grosso

Ex-secretário diz ao MPE que esquema de grampos foi informado ao governador

Por: Aline Brito
Fonte: Da redação

Foto de José Medeiros/GCOM MT

O ex-secretário de Segurança Pública do Estado, Fábio Galindo disse em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE), que o governador Pedro Taques (PSDB) tinha conhecimento sobre os grampos telefônicos ilegais que estavam sendo operando em Mato Grosso.

Segundo Galindo, em outubro de 2015 ele o então secretário Estadual de Segurança, Mauro Zaque, se encontraram com Taques e contaram sobre o esquema de grampos operados pela Polícia Militar. Na época, Fábio Galindo era secretário adjunto de segurança.

Em depoimento ao MPE, Galindo disse que participou de uma reunião na casa de Pedro Taques, com a presença de Mauro Zaque, em que foi mostrada ao governador uma apresentação em Power Point a respeito do esquema de grampos. Essa apresentação teria sido feita antes da denuncia ser oficialmente protocolada na Casa Civil.

Conforme Galindo, Mauro Zaque soube dos grampos ilegais por meio de uma denúncia anônima e que teria sido encaminhada ao governador Pedro Taques.

"Que foi comunicado pessoalmente o governador Pedro Taques, inclusive com a apresentação de programa power point na residência do mesmo (...) A apresentação foi impressa e consta dos autos do Procedimento Investigatório Criminal, que inclusive a redação dos ofícios assinados conjuntamente coube ao declarante, enquanto secretário executivo de Segurança Pública", diz trecho do depoimento de Fábio Galindo, citado na conclusão do inquérito que apurou denúncia feita por Taques contra Mauro Zaque.

Inclusive, o MPE arquivou na última sexta-feira (06), a investigação contra Mauro Zaque por falta de provas. Zaque que também é promotor estava sendo acusado de participar da fraude do protocolo que continha a denúncia dos grampos e seria entregue ao governador.

De acordo com Fábio Galindo, esse segundo ofício era muito mais robusto que o primeiro e trazia informações importantes para a investigação, como os dados de pessoas interceptadas ilegalmente, entre elas deputados, jornalistas e até mesmo uma suposta namorada do então secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques.

O ex-secretário disse ao MPE que ele e Zaque resolveram protocolara denúnica  formalmente no setor de protocolo da Casa Civil para não gerar dúvidas ou suspeitas descabidas. "Entre um ofício e outro houve uma mudança radical de conteúdo, haja vista que constatou-se a gravidade muito maior dos fatos levantado à necessidade de formalizar via protocolo a comunicação oficial dirigida ao governador Pedro Taques", diz trecho do depoimento dele.

Porém, o protocolo foi fraudado. Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) apontou que o documento chegou a ser protocolado na Casa Civil, mas que foi substituído por outro documento, com o mesmo número, que se tratava de um pedido de obras em Juara.

De acordo com Fábio, Taques aprovou a atitude dos gestores quando protocolaram o segundo ofício que continha provas dos grampos, e acabou gerando um desgaste entre o chefe do Executivo e Mauro Zaque.

"De outubro/2015 a dezembro/2015 houve um desgaste muito grande entre o então secretário Mauro Zaque e o comandante geral da PM Zaqueu Barbosa por ter Mauro Zaque levado ao conhecimento do governador a situação de possível escritório clandestino de escutas ilegais, com o possível envolvimento do comandante geral da PM, de forma inclusive a comprometer a harmonia fundamental para o bom funcionamento do sistema de segurança", declarou o ex-secretário ao MPE. Zaqueu está preso desde maio.

Esse desgaste levou o então secretário a pedir a exoneração do cargo. Mauro Zaque voltou a atuar no Ministério Público Estadual e, depois de um ano fora do governo, denunciou o caso à Procuradoria Geral da República (PGR).

Com a saída de Mauro Zaque, Galindo assumiu o comando da Sesp em dezembro de 2015. Ele ficou no cargo até março de 2016. Ele saiu em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede membros do Ministério Público (MP) de desempenhar funções no Poder Executivo.

Na sequência, tomou posse do cargo o delegado Rogers Jarbas, que foi preso na Operação Esdras, deflagrada pela Polícia Civil no último dia 27. Jarbas, Paulo Taques e outros ex-integrantes do primeiro escalão do governo do estado foram presos nessa operação.