Cuiabá, 18 de Agosto de 2017

Mato Grosso

Silval Barbosa pretendia enviar à Suíça 8 milhões de euros de propina do VLT

Por: Patricia Xavier
Fonte: Da redação

Foto de Lislaine dos Anjos/G1

O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), pretendia guardar 8 milhões de euros de propina que receberia de uma empresa espanhola, da qual o Estado havia comprado os vagões do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em bancos na Suíça. O fato foi relatado pelo ex-secretário de estado Pedro Nadaf, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), em janeiro deste ano.

A Justiça divulgou o depoimento nesta quarta-feira (09), após ser denigrada a Operação Descarrilho, da Polícia Federal, que investiga fraudes nas obras do VLT, em Cuiabá e Várzea- Grande.

Em seu depoimento, Nadaf afirmou que antes de viajar à Suiça, para evento do qual participaria como membro delegado da Confederação Nacional do Comércio, na época em que era secretário-chefe da Casa Civil, Silval Barbosa o perguntou se ele conhecia o sistema financeiro daquele país.

"Barbosa perguntou ao declarante se tinha conhecimento como funcionava os sistemas financeiros na Suíça, pois ele (Silval) afirmou que tinha para receber, somente de sua parte, cerca de 8 milhões de euros oriundos de propinas da empresa espanhola CAF, responsável pela venda dos vagões do VLT ao Governo", diz trecho do inquérito da Polícia Federal.

Com base nessas declarações, o ex-governador foi intimado e prestou depoimento em julho deste ano. Silval negou a existência de fraude na licitação da obra, mas admitiu negociações referentes ao pagamento de propina por parte de empresas que fazem parte do consórcio VLT, que venceu o processo licitatório, revelando a ocorrência dos crimes de corrupção ativa e passiva, bem como lavagem de dinheiro, como consta no inquérito da PF.

Em relação aos 8 milhões de euros, Silval Barbosa negou ter recebido o montante referente a propina.

Prisão

Silval Barbosa foi preso durante a Operação Sodoma, que investigou a existência de uma suposta organização criminosa que cobrava propina de empresários para manter contratos vigentes com o estado, durante a gestão dele.

Empresários seriam supostamente ameaçados a pagar propina sob ameaça de que poderia perder incentivos por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).

O ex-governador foi solto em junho deste ano, com tornozeleira eletrônica, após um acordo para a devolução de R$ 46,6 milhões desviados dos cofres públicos por meio da alienação de cinco bens, entre eles duas fazendas avaliadas em R$ 33 milhões e R$ 10 milhões e um avião de R$ 900 mil.