Cuiabá, 22 de Novembro de 2017

Opinião

A catarse tupiniquim

Por: João Edisom de Souza

Foto de Divulgação

Estamos em julho de 2017 e o Brasil vive uma situação complicada do ponto de vista das instituições públicas. Não há em quem confiar, os heróis morreram todos e não foi de overdose. Morreram de ideologias baratas atreladas a corrupção desenfreada. Como afirmou Millôr Fernandes: Viva o Brasil, onde o ano inteiro é primeiro de abril.

Catarse vem do grego kátharsis, "purificação", é uma palavra utilizada em diversos contextos, como a tragédia, a medicina ou a psicanálise. Significa "purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um trauma.

Nossas instituições, através de seus dirigentes gestores, estão se dissolvendo como gelo no forno aquecido, tanto que julgados, julgadores e testemunhas (delatores) gozam das mesmas incertezas e incoerências maliciosas. A antítese está surgindo antes da tese e o poço de lama parece não ter fim. Nelson Rodrigues já dizia que “no Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte”.

O executivo há muito não é merecedor, mas piorou nos últimos anos e em passo acelerado piora ainda mais a cada dia. Temer (do açougue) é pior que Dilma (do petrolão), que foi pior que Lula (do mensalão), que não foi melhor que FHC (da compra da reeleição) que só não foi pior que Color (da casa da dinda) que só não foi pior que Sarney (da inflação) que faz alguns terem saudade dos regimes ditatoriais.

Vejamos quem presidiu a Câmara dos Deputados neste mesmo período? Ibisen Pinheiro, Inocêncio Oliveira, Eduardo Magalhães, Michel Temer (três mandatos), Aécio Neves, Efrain Moraes, João Paulo Cunha, Severino Cavalcanti, Aldo Rabelo, Arlindo Chinaglia, Marcos Maia, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, Rodrigo Maia. Destes Três foram cassados no mandato (Ibisen Pinheiro, Severino Cavalcanti e Eduardo Cunha) outros três estiveram ou estão presos (João Paulo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha), processado e investigado: todos!

No Senado? De 1995 para cá a lista de presidentes é o seguinte: Sarney, ACM, Jader Barbalho, Edson Lobão, Ramez Tebet, Renan Calheiros, Tião Viana, Garibaldi Alves Filho e Eunício Oliveira, sem falar nas figurinhas carimbadas, como por exemplo Romero Jucá. É bom ou quer mais? Mas lembre-se, assim com falou o barão de Itararé: “O Brasil é feito por nós. Está na hora de desatar esses nós”.

E nos altos escalões do Judiciário, quem temos? O que dizer das decisões de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Edson Faccin, Rodrigo Janot, Deltan Dallagnol e os casos das absolvições da chapa Dilma/Temer, do retorno de Aécio, da soltura de José Dirceu, Eike Batista, absolvição de João Vaccari Neto e companhia? E do acordo com os irmãos Batista (Joesley e Wesley)? Fora as decisões das instâncias inferiores da justiça.

E os órgãos fiscalizadores? As autarquias e seus chefes? As práticas comerciais e industriais? Menor peso. Menor quantidade. Menor qualidade por um preço de qualidade. E nossas igrejas? Várias se proliferando com cunho arrecadatório. E o nosso trânsito?  Mata mais que qualquer guerra. O Brasil derrete.

E o povo? Bem, o povo fala que a carne é fraca, que nossa vergonha é pouca e a necessidade é muita. Como afirmou Paulo Francis, “talvez o Brasil já tenha acabado e a gente não tenha se dado conta disso”. Diante deste quadro prrgunto a você, esta catarse vai durar até quando?