Cuiabá, 21 de Novembro de 2017

Opinião

Sem chance a volta dos militares

Por: Onofre Ribeiro

Foto de Reprodução

Falamos ontem neste espaço sobre a eventual volta dos militares ao governo no Brasil, nos moldes de 1964-1985.

Sem chances!

Bom traçar uma perspectiva histórica dos militares e a política brasileira. No Império eles já tinham muita influência política. Tanto que o proclamador da República foi o Marechal Deodoro da Fonseca e o segundo presidente o Marechal Floriano Peixoto. Durante a República Velha, que foi de  1889 a 1930, eles surgiram com força em 1922  no movimento Tenentista, que combatia a velha política de revezamento do poder político entre São Paulo e Minas

Em 1930 os tenentes de 1922 estavam no apoio à Revolução de 1930 que trouxe Getúlio Vargas à presidência num golpe de Estado. Dali até 1945 com a queda de Getúlio, os militares participaram de conspirações políticas e de movimentos nacionalistas.

Finda a segunda grande guerra mundial, entre 1950 e 1953 a guerra da Coréia mostrou aos Estados Unidos que precisaria construir barreiras para evitar a expansão do socialismo muito manifesto na guerra, através da União Soviética e da China. De imediato os EUA decidiram proteger as Américas contra  o socialismo no futuro.

Levaram jovens oficiais desses países para estudar em academias militares como Davenporth, nos EUA, onde estiveram, por exemplo, o futuro Marechal Humberto de Alencar Castello Branco e o general Golbery do Couto e Silva. Castello Branco foi o primeiro presidente militar em 1964 e Golbery o pensador do regime militar que governou o Brasil.

A ideia dos EUA era formar futuras lideranças militares em lideranças políticas para uma eventual necessidade futura. Isso aconteceu bem 1964 com a chamada Revolução de 1964. Aliás, na América do Sul toda, exceto a Venezuela. Todos tiveram golpes militares.

O que gostaria de dizer neste artigo é que os militares brasileiros se prepararam militar e politicamente para governar o país ao longo de 75 anos desde a proclamação da República.

Em 1985 deixaram o poder no Brasil desgastados e derrotados pelas sucessivas crises econômicas. Os governos petistas de Lula e Dilma fizeram um esforço enorme pra destruir a reputação militar. É assim que estão hoje os quartéis com seus oficiais construídos depois de 1985. Sem recursos, politicamente desmotivados e sem lideranças com olhar político. Tampouco articulação com a sociedade pra um movimento politico. O assunto continuará amanhã.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso - onofreribeiro@onofreribeiro.com.br  www.onofreribeiro.com.br