Cuiabá, 23 de Outubro de 2017

Opinião

Brasil que prende, Brasil que solta

Por: João Edisom de Souza

Foto de Reprodução

O caótico Sistema Judiciário brasileiro foi elaborado burocraticamente para ter postos de trabalho e gerar emprego, não para solucionar problemas e fazer justiça. Para Rui Barbosa, “justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada”. No nosso caso soma-se a injustiça o custo. Como é caro o Custo Brasil para, quem sabe um dia, se fazer justiça.

Vejam os casos de Eike Batista e José Dirceu: prendem, transportam, constituem advogados, movimentam bancas de servidores, promotores, advogados, Ministério Público, juízes de primeira instancia e seus aparatos, polícia e seus aparatos, Tribunal Superior e seus aparatos... Aí soltam para, quem sabe daqui uns dias, prenderem novamente. Neste intervalo, promotores e seus aparatos e os advogados e seus escritórios continuarão trabalhando para prender e para soltar.

Alguém já parou para calcular o custo do prende-solta? Estamos de olho no dinheiro que foi desviado através dos esgotos da corrupção, mas e o gasto público (nosso dinheiro) com a brincadeira do prende-solta? O número de pessoas envolvidas e ganhando muito bem com um processo deste a mão?

Vivemos de nomes e conceitos distorcidos que estão longe de se tornarem realidade. Sistema socioeducativo? Reeducando? Quem acredita nisso? Tornozeleira pode até deprimir um corrupto de colarinho branco, mas não fará justiça se ele continuar desfrutando a vida em suas mansões, com todas as regalias adquiridas com dinheiro alheio.

Mas tornozeleira é status, é medalha de honra na perna do assaltante, do traficante pobre que vive na periferia. Com este adereço ele é mais respeitado, atrai os olhares daqueles desprovidos de tudo e que querem proteção de alguém que possa impor respeito na sua comunidade.Aristóteles já perguntava: “Haverá flagelo mais terrível do que a injustiça de armas na mão?”.

O custo Fernandinho Beiramar, Marcola, Palocci, José Dirceu, Cunha, Eike e tantos outros é todo pago por nós. Investigadores, polícia, Ministério Público, servidores do judiciário, juízes são quem recebem para fazer o trabalho. O Sistema Judiciário é público. Solta para prender novamente, para soltar novamente e, enquanto isso, se debruçam sobre a burocracia das papeladas para receberem salários ao final do mês. E nós continuamos pagando, ou porque o bandido está solto, ou porque o bandido está preso.

Combater o crime, combater a corrupção está tão caro quanto os prejuízos causados pelos malandros e a própria corrupção em si. E tudo isso ocorre pela triste mania dos agente políticos brasileiros e entidades correlatas sempre vitimarem o bandido, criando desta maneira uma rede de proteção dos direitos dos bandidos.

 No Brasil de ontem e de agora quem pratica o mal possui mais entidades (em números e em quantidade de gente trabalhando) para protege-los que os cidadãos honestos. Os honestos, quando têm alguma instituição de proteção, não funciona por falta de estrutura ou de verba, coisa que não falta aos mal feitores da sociedade de todos os níveis.

Prova que esta tendência de proteger quem não presta as custas de quem trabalha é antiga tanto que Rui Barbosa no século passado já dizia: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Um país melhor passa pelo fim do mimimi do “não teve oportunidade”. Quem o mal pratica sabe o que está fazendo. Passa também pelo fim do prende-solta. Tem que prender e só soltar quando quitar sua dívida para com a sociedade e para com o Estado.

Os honestos estão cansados de serem otários dos espertalhões que além de roubar o indivíduo ainda continua dando prejuízo a sociedade e, mesmo assim, são protegidos. Temos que chegar no dia em que o crime não vai compensar. “A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos”, Barão de Montesquieu.